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Os ótimos negócios que crescem longe dos centros urbanos
Eles são empresários brasileiros, mas não reclamam de crises. A palavra de ordem é investir para crescer. Sem exceções, garantem que atuam em setores com demanda reprimida e, se produzissem mais, venderiam tudo.
A grande maioria não teme concorrentes; ao contrário, incentiva a entrada de gente nova no mercado.
Para completar, parecem bastante satisfeitos com os negócios e o estilo de vida que escolheram.
Essas pessoas, aparentemente raras, na verdade existem em número elevado e, para encontrá-las, basta de afastar um pouco das áreas urbanas.
Elas estão em sítios, granjas e fazendas criando trutas, rãs, escargots, camarões e marrecos e produzindo verduras orgânicas, conservas, cogumelos, mel e mais uma infinidade de outros alimentos.
Sem fazer parte do círculo de grandes produtores rurais, esses empresários desenvolvem atividade que, em geral, podem ser iniciadas com pouco investimento e, em alguns casos, têm ainda um sabor de novidade.
É quase um mundo à parte, em que bons negócios se harmonizam com projetos de vida bem definidos. [...]
Verduras orgânicas: pé na terra e olho no futuro Assim que se formou, o engenheiro agrônomo Jefferson Steinberg, 30 anos, começou a trabalhar como assessor técnico de produtores rurais. Até que, há quatro anos, decidiu explorar por conta própria um sítio que possuía em Ibiúna, com cinco hectares, e arrendou outra área em Caucaia da Serra, um pouco maior, para criar a Terra & Saúde Vegetais sem agrotóxicos.
Cultivando vários tipos de verduras e legumes orgânicos, ele vende mensalmente cerca de mil caixas de seus produtos (cada uma dá para o consumo semanal de uma família de cinco pessoas, em média), que lhe rendem um faturamento bruto de aproximadamente Cr$ 3,5 milhões. “A tendência é de que as pessoas fiquem cada vez mais conscientes de que consomem alimentos contaminados e, ainda mais importante, de que essa contaminação não é necessária”, afirma. Steinberg contesta a utilização de agrotóxicos “ de forma indiscriminada, como se faz hoje”, e garante que o mercado de produtos orgânicos está em pleno crescimento. “Isso faz com que essa atividade se transforme numa excelente opção para pequenos agricultores que disponham de pelo menos 8 hectares de terra.”
Steinberg planta cerca de 15 variedades de legumes e verduras, de modo a compor caixas com nove ou dez produtos de época. Quase 80% de sua produção são entregues diretamente nas casas de 180 clientes fixos. O restante é vendido em feiras. Cada caixa custava em setembro Cr$ 4.200,00 com opção por outra menor, com seis variedades, a Cr$ 3.800,00.
A venda direta é adotada pela grande maioria dos produtores de alimentos orgânicos de São Paulo, em decorrência da falta de uma rede especializada de distribuidores. “Se tivessem um bom distribuidor, eu poderia aumentar facilmente minha produção”, explica.
A quem se interessa pelo ramo, Steinberg recomenda que o ideal é, antes de mais nada, conhecer áreas que já estejam produzindo. “Primeiro, é preciso acreditar nas vantagens e na viabilidade da agricultura orgânica.” Em seguida, segundo o agrônomo, deve-se procurar publicações específicas ou cursos como o que é realizado pela Associação de Agricultura Orgânica de São Paulo, que funciona no Parque da Água Branca.
A associação reúne cerca de 330 sócios, dos quais 60 produtores, e além dos cursos ela organiza as feiras de vegetais orgânicos, avalizando a qualidade e a procedência dos produtos. [..]
Investimento inicial: Cr$ 12 milhões Capital de giro: Cr$ 800 mil Prazo de retorno: 2 anos Faturamento médio mensal: Cr$ 2 milhões Número mínimo de empregados: 3 Área mínima: 8 hectares
Revista PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS
Ano III
N.º 34
Novembro 1991
NOV/2006
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